Se a sua empresa vende para outras empresas no modelo B2B ou está enquadrada no Simples Nacional, a notícia do adiamento mexe diretamente com o seu fluxo de caixa e com a forma como você emite notas fiscais a partir de 2027. O governo federal confirmou que o repasse automático de tributos no momento da venda não será obrigatório logo no início da transição, o que dá um fôlego importante para a adaptação dos sistemas de pagamento.
Essa mudança atinge em cheio negócios de todos os portes, desde quem fatura na ponta menor até empresas maiores no Lucro Presumido e no Lucro Real. Afinal, a promessa de retenção instantânea gerava medo de estrangulamento do capital de giro antes de o dinheiro sequer entrar na conta da empresa.
O cronograma real do split payment e a entrada da CBS
A Secretaria da Receita Federal informou que o split payment obrigatório nas operações entre empresas B2B deve começar somente a partir de 2028. Isso acontece porque a tecnologia necessária para cruzar essas informações em tempo real exige uma infraestrutura compleja que ainda demanda testes profundos.
O sistema do governo que viabilizará o split payment estará pronto no início de 2027, mas a exigência depende da adesão gradual de mais de 200 instituições financeiras e meios de pagamento. Enquanto essa engrenagem não roda por completo, o cronograma fiscal segue outro ritmo no chão de fábrica e no balcão.
A CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) entra em vigor no início de 2027 como o novo tributo federal sobre o consumo, substituindo tributos antigos. Na ausência do split payment obrigatório em 2027, as empresas continuarão emitindo notas fiscais normalmente e pagando os tributos via Darf no fim do mês.

As alternativas de recolhimento e o impacto no caixa
Com a tecnologia rodando de forma opcional ao longo do ano seguinte, o empresário ganha ferramentas para testar modelos de pagamento sem o peso da punição imediata. A adesão aos meios de pagamento no sistema da Receita Federal ocorrerá de forma opcional ao longo de 2027, começando por modelos como a transferência eletrônica financeira e o PIX estático.
Essa flexibilidade evita que o seu caixa trave por falta de liquidez enquanto os créditos tributários circulam pela cadeia de suprimentos. O ressarcimento de créditos tributários no modelo padrão ocorre em até dois meses, enquanto o modelo alternativo de Recolhimento pelo Adquirente (RAD) permite crédito de forma mais rápida para quem precisa girar o estoque sem demora.
Empresas que lidam com margens apertadas no Lucro Presumido precisam olhar de perto para esses prazos de ressarcimento, já que pagar imposto sobre uma margem que o governo acha que você tem — mas que não existe na realidade do caixa — sufoca o crescimento.
As escolhas para o Simples Nacional e o papel do MEI
As regras do jogo mudam drasticamente para quem está enquadrado em regimes simplificados. Empresas do Simples Nacional com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões poderão optar entre o Simples puro ou o sistema híbrido com aproveitamento de créditos.
Essa decisão não pode ser tomada de última hora, pois define a competitividade do seu produto frente a grandes concorrentes no Lucro Real. O prazo para a primeira escolha do modelo do Simples Nacional no primeiro semestre de 2027 deve ser feito até o fim de setembro, com reabertura do prazo em março para o segundo semestre de 2027.
Já a base da pirâmide segue uma dinâmica própria para evitar burocracia excessiva. O Microempreendedor Individual (MEI) pagará um valor fixo de CBS e IBS e permanecerá obrigatoriamente no Simples puro, sem transferir créditos para a cadeia.

Como ajustar a operação para o Split Payment
Mapeie todas as transações B2B que sua empresa realiza para entender o peso dos tributos atuais no seu faturamento mensal.
Acompanhe os comunicados da Receita Federal sobre a abertura dos testes para a transferência eletrônica financeira e o PIX estático previstos para 2027.
Simule antecipadamente o impacto financeiro de migrar ou não para o modelo híbrido se a sua empresa estiver no Simples Nacional.
Marque na agenda o prazo limite de setembro para registrar a escolha do modelo tributário aplicável ao seu negócio no primeiro semestre de 2027.
Converse com a sua equipe financeira para estruturar o fluxo de caixa considerando o pagamento via Darf no fim do mês durante o ano de 2027.

