A Receita Federal tem até o dia 14 de setembro para entregar ao Tribunal de Contas da União a proposta de cálculo da alíquota de referência da CBS, a Contribuição sobre Bens e Serviços, que começa a valer em 2027. Essa decisão impacta diretamente o bolso de empresas que operam no Simples Nacional e no Lucro Presumido, especialmente quem vende para outras empresas no modelo business to business, o famoso B2B. O MEI e o Lucro Real também entram no radar, mas a dor de cabeça maior recae sobre quem negocia no meio da cadeia produtiva e corre o risco de perder clientes.
Na prática, o que muda é a forma como o imposto é cobrado e o crédito que você consegue repassar para frente. A partir de 2027, o novo tributo federal vai exigir que cada elo da cadeia mostre claramente o imposto embutido no produto ou serviço.
Se o seu preço final não encaixar nessa nova lógica de compensação, o seu cliente empresarial vai simplesmente procurar outro fornecedor que permita a ele abater o valor pago do imposto dele. Não é uma mudança distante: ela mexe diretamente na sua margem de lucro e na sua capacidade de fechar contratos.
O peso da alíquota de referência no seu caixa
Quando o Ministério da Fazenda e a Receita Federal definem o tamanho da fatia que a CBS vai morder, o mercado inteiro precisa recalcular os custos. Para quem está no Lucro Presumido, a conta do imposto sobre o faturamento ganha uma nova camada de complexidade com a chegada do novo modelo de cobrança por consumo. Se a sua margem real de lucro for menor do que aquela que o governo presume que você tem, você acaba pagando imposto sobre um dinheiro que nem viu entrar de fato.

Empresas menores que faturam no Simples Nacional também sentem o baque de forma indireta, mas violenta. Como o imposto pago no regime simplificado nem sempre gera crédito integral para o comprador final, o seu produto pode ficar artificialmente mais caro para quem compra de você para revender ou transformar. É aí que a competitividade vai para o espaço, porque o seu concorrente no Lucro Real consegue repassar créditos que você não consegue entregar.
O dilema do B2B e a perda de espaço no mercado
Negociar com outras empresas exige que você entenda a dor de quem está do outro lado do balcão corporativo. O comprador empresarial não olha apenas para o preço de etiqueta, ele olha para o crédito tributário que vai conseguir aproveitar na nota fiscal seguinte para abater o imposto dele. Se você vende um insumo ou serviço e o seu imposto não gera crédito para o seu cliente, ele vai preferir comprar de outro.
Essa dinâmica transforma a transição para a CBS e o IBS em uma questão de sobrevivência comercial, como detalhamos na nossa análise sobre o impacto do novo imposto na nota fiscal. Quem está no Simples Nacional precisa avaliar se vale a pena continuar no modelo tradicional ou migrar para o que a legislação desenha para o futuro. Ficar parado esperando o cliente aceitar pagar mais caro sem poder descontar o tributo é o caminho mais rápido para fechar as portas.
Passo a passo para avaliar a sua empresa frente aos créditos da CBS e do IBS
Mapeie todos os seus clientes atuais e identifique quais deles compram no modelo B2B e exigem aproveitamento de crédito fiscal nas notas emitidas.
Some o volume exato de impostos federais que hoje estão embutidos nos seus custos de produção e na precificação do seu produto ou serviço.
Simule o impacto de uma alíquota padrão da CBS sobre o preço final que você pratica hoje, comparando com o que o seu concorrente direto consegue oferecer.

Avalie se o seu faturamento atual e o limite de exclusão do Simples Nacional colocam a sua operação em risco de desenquadramento forçado nos próximos anos.
Reveja o seu regime tributário atual com base na nova margem de lucro e na perda ou ganho de competitividade frente ao Lucro Presumido e ao Lucro Real.
Ajuste a tabela de preços da sua empresa considerando a entrada em vigor do modelo híbrido e a nova realidade de créditos para o consumidor corporativo.

