A fatura das viagens corporativas vai subir e a sua empresa do setor de serviços ou de qualquer outro segmento que depende de voos frequentes vai sentir isso direto no fluxo de caixa. A reformulação dos impostos afeta o custo operacional de voos domésticos e internacionais, pegando em cheio negócios de todos os portes enquadrados no MEI, no Simples Nacional, no Lucro Presumido e no Lucro Real.
Na prática, o custo para colocar sua equipe em reuniões presenciais fora do estado vai disparar, exigindo cortes drásticos em viagens ou um repasse urgente para o preço do seu produto. Não há nenhum regime tributário que fique imune a esse encarecimento na ponta final do consumo, já que o imposto incidirá sobre o serviço prestado pelas companhias aéreas sem os benefícios fiscais de antes.
O estudo que escancara a alta nos preços das viagens
No início de setembro, a Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo, conhecida como Alta, divulgou um estudo contundente projetando um aumento de até 16,1% nas passagens aéreas domésticas. No mesmo levantamento, as passagens internacionais aparecem com previsão de alta de cerca de 13,3% para os próximos anos.

Esse cálculo da Alta foi feito considerando uma alíquota padrão de 26,5% para o setor de aviação. A projeção da entidade vai além do preço e indica uma queda drástica na demanda doméstica de 21,1% e de 17,8% no mercado internacional, o que vai retrair o volume de negócios fechados pessoalmente por executivos de empresas do Lucro Real e do Lucro Presumido.
O peso histórico do setor aéreo frente às novas regras
Para entender o tamanho do estrago, vale olhar para o histórico financeiro recente das empresas que operam no país. Dados da Anac mostram que as companhias aéreas acumularam prejuízos líquidos de R$ 55 bilhões entre 2015 e 2025, operando com margens extremamente apertadas e vulneráveis a qualquer oscilação de custo.
A situação fica ainda mais crítica quando se observa que o querosene de aviação, chamado de QAV, representa quase 40% dos custos operacionais das companhias aéreas. Com o combustível pesado pesando tanto no orçamento, qualquer tributação extra sobre a operação empurra o preço da passagem para patamares insustentáveis para o pequeno empresário do Simples Nacional.
O cronograma de entrada dos novos impostos
O calendário de transição fiscal já tem datas marcadas para mexer com as contas das empresas. A CBS e o Imposto Seletivo entram em vigor em 1º de janeiro de 2027, data exata em que o PIS e a Cofins deixam de existir no sistema brasileiro.
No mesmo compasso, o IBS inicia sua fase de transição em 2027, substituindo o ICMS e o ISS de forma gradual até 2032, com consolidação total em 2033. Negócios no MEI e nas demais categorias precisarão adaptar seus controles internos para lidar com a nova dinâmica de créditos e débitos que esses tributos trazem.
A bomba atômica anunciada pelo setor
Em 10 de junho de 2026, o CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier, classificou a Reforma Tributária como uma bomba atômica para a aviação durante um evento realizado em São Paulo. Ele alertou que a carga fiscal vai saltar de forma assustadora para as empresas do setor.
Atualmente, a Latam paga cerca de R$ 2 bilhões anuais em impostos e a projeção interna indica que esse valor vai saltar para R$ 6 bilhões com o novo modelo. Esse salto de três vezes na carga tributária é o principal motivo pelo qual as passagens vão encarecer tanto para as empresas do Lucro Presumido e do Lucro Real.

O reflexo direto no turismo e nos empregos
O encarecimento das viagens não afeta apenas a planilha de custos do seu negócio, mas desorganiza toda a cadeia ligada a eventos e turismo corporativo. A projeção de empregos no setor de turismo em 2036 caiu de 9,8 milhões para 9,44 milhões devido à nova tributação que sufoca o consumo.
Essa retração na oferta de voos e no número de trabalhadores ativos afeta diretamente empreendedores do Simples Nacional que prestam serviços para hotéis, restaurantes e agências de viagens. Menos pessoas viajando significa menos receita circulando na ponta para empresas do MEI que dependem do movimento local.
Projeções de impacto nas passagens aéreas e na demanda
Aumento de até 16,1% no preço das passagens aéreas domésticas.
Elevação de cerca de 13,3% nas passagens internacionais.
Queda projetada de 21,1% na demanda por voos domésticos.
Retração de 17,8% na procura por viagens internacionais.
Salto de R$ 2 bilhões para R$ 6 bilhões nos impostos anuais pagos pela Latam.
Redução de 9,8 milhões para 9,44 milhões na projeção de empregos no turismo em 2036.

