Lupa examinando notas de dinheiro brasileiras com o texto Orçamento 2027 em destaque, ilustrando os impactos no seu negócio.

Orçamento 2027 e os impactos no seu negócio

03 de setembro de 2026

A equipe econômica apresentou em 31 de agosto de 2026 a proposta de orçamento federal para 2027 ao Congresso Nacional. Esse documento mexe diretamente com o seu caixa, com o preço dos insumos que você compra e com o valor da folha de pagamento da sua empresa a partir de janeiro do próximo ano.

Essa movimentação fiscal atinge todo mundo, seja você dono de um pequeno negócio no Simples Nacional, um prestador de serviço no Lucro Presumido, uma grande operação no Lucro Real ou até mesmo um autônomo formalizado como MEI. Ninguém fica de fora da engrenagem quando o governo redefine as regras de arrecadação e projeta as contas públicas para o futuro próximo.

O novo salário mínimo e o peso na folha

A proposta enviada ao Congresso prevê um salário mínimo de R$ 1.741 a partir de janeiro de 2027. Isso representa uma alta de 7,4% em relação aos atuais R$ 1.621 que você já paga na folha dos seus colaboradores.

Para quem mantém equipe, esse reajuste exige cálculo antecipado. Não é apenas o salário base que sobe, mas também todos os encargos trabalhistas e previdenciários que são calculados em cima desse valor, apertando o caixa de quem emprega, seja no Simples Nacional ou no Lucro Real.

Pessoa calculando números em uma calculadora e usando notebook para planejamento financeiro e análise do orçamento empresarial.

As contas do governo e a meta fiscal

O governo federal fixou uma meta fiscal de superávit primário de R$ 73,2 bilhões para 2027. Na prática, a projeção real da equipe econômica aponta para um saldo positivo de R$ 18,6 bilhões, o que representa 0,13% do PIB.

Para perseguir esse resultado, o projeto traz algumas contenções duras. A proposta de orçamento limita os recursos para reajustes de servidores públicos em 2027 devido a um gatilho de contenção de gastos associado ao marco fiscal.

Gastos públicos e prioridades no orçamento

Enquanto o funcionalismo público tem os recursos limitados, outras áreas mantêm volumes expressivos de recursos. O projeto destina R$ 44,8 bilhões para emendas parlamentares em 2027, garantindo o fluxo político de investimentos negociados no Congresso.

Além disso, os gastos previstos com o Bolsa Família somam R$ 157,1 bilhões. Vale notar que a proposta orçamentária para 2027 não prevê reajuste nos valores dos benefícios pagos pelo programa social.

A chegada da CBS e a substituição de tributos

A grande mudança estrutural que bate na porta das empresas é a inclusão da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) na proposta orçamentária, com início programado para 2027 em substituição ao PIS, à Cofins e a parte do IPI.

Mulher usa calculadora e analisa documentos financeiros na mesa, ilustrando o planejamento para o Orçamento 2027 do seu negócio.

O governo prevê arrecadar R$ 636 bilhões com a CBS em 2027. A alíquota exata ainda será definida pelo Senado Federal até dezembro, exigindo que você mantenha o radar ligado para não ser pego de surpresa na precificação dos seus produtos e serviços, seja qual for o seu regime tributário, do MEI ao Lucro Presumido.

O imposto seletivo e os setores mais atingidos

Outro ponto central do orçamento é a inclusão do imposto seletivo, conhecido popularmente como o imposto do pecado. A previsão da equipe econômica é arrecadar R$ 41,9 bilhões com essa cobrança em 2027.

Esse tributo vai incidir diretamente sobre bebidas alcoólicas, refrigerantes, cigarros, veículos conforme o nível de poluição, extração de bens minerais, loterias, apostas e jogos de fantasy sports. Se a sua empresa atua em qualquer um desses mercados, o custo de operação vai subir consideravelmente.

A reforma tributária em 2027 traz cobrança por consumo que vai alterar a dinâmica de margens de lucro em toda a cadeia produtiva, exigindo atenção redobrada dos empresários.

Como para mapear a incidência dos novos tributos

Para preparar o seu negócio antes da vigência oficial das novas regras em 2027, siga este roteiro prático de mapeamento fiscal:

  • Liste todos os produtos e serviços que a sua empresa vende atualmente, separando cada item por categoria e NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul).

  • Consulte a tabela oficial para identificar quais dos seus itens comercializados serão atingidos pelo imposto seletivo a partir de 2027.

  • Simule o impacto da alíquota da CBS projetada para substituir o PIS e a Cofins, calculando como o novo tributo altera o preço final para o seu cliente.

  • Revise o planejamento financeiro do seu negócio considerando o novo salário mínimo de R$ 1.741 na folha de pagamento de janeiro de 2027.

  • Avalie com cuidado se o seu enquadramento atual, seja no Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real, continua vantajoso com a entrada dos novos modelos de cobrança.

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