Reunião de trabalho em sala corporativa com tela ao fundo exibindo a sigla IBS, no contexto das discussões sobre a reforma tributária.

Reforma tributária

10 de agosto de 2026

O Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços jogou na mesa a estimativa de que o novo imposto sobre o consumo no Brasil vai chegar a cerca de 28% em 2033, quando o modelo estiver funcionando com força total. Essa fatia junta os tributos federais, estaduais e municipais que vão substituir os nomes que você já conhece.

A reação imediata de muita gente foi achar que o governo inventou um imposto novo e mais caro do nada. Só que a conta não veio para aumentar a arrecadação geral, mas para manter o volume de dinheiro que o Estado já recolhe hoje. A lei que aprovou a reforma em 2024 exige neutralidade de receita, o que significa que o governo não pode arrecadar mais só porque mudou o nome da taxa.

O ponto central que deveria preocupar você não é o número bruto de 28%, mas como a engrenagem nova vai tratar o seu negócio todos os dias. A forma como você compra, produz e vende vai mudar completamente, e o impacto real no seu caixa vai depender diretamente da sua posição na cadeia de fornecimento.

Mesa de autoridades discursando em evento oficial sobre a reforma tributária e a criação do CG | IBS, com o público assistindo de costas.

O mito do imposto mais alto e a realidade da neutralidade

Quando a gente olha apenas para a porcentagem de 28%, a impressão é de um peso insuportável para quem empreende no Brasil. Mas essa alíquota é o resultado matemático necessário para substituir tributos antigos que já existiam e que, somados, muitas vezes ultrapassavam essa faixa de forma desorganizada e cheia de atrito.

O problema nunca foi apenas o tamanho do imposto, mas a complexidade de pagar e a quantidade de bitributação que acontecia no meio do caminho. Antigamente, você pagava imposto sobre imposto em várias etapas da produção. Com o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços, que reúne estados e municípios) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços, federal), a promessa é a não cumulatividade plena. Na teoria, cada um paga apenas pelo valor que agregou ao produto ou serviço.

Só que a prática exige atenção rigorosa, principalmente para empresas que operam no Simples Nacional e no Lucro Presumido. Se você não entender como repassar esses créditos para a frente, o seu preço final pode ficar artificialmente caro e espantar o seu cliente.

Como o Simples Nacional e o Lucro Presumido entram na dança

Empresas do Simples Nacional costumam ter a falsa sensação de que estão blindadas contra qualquer mudança drástica. Acontece que a reforma tributária mexe fundo na lógica de quem compra de você. Se a sua empresa vende para outras empresas, o modelo B2B, o cenário exige cuidado redobrado.

No novo sistema, quem compra de você vai querer aproveitar o crédito integral do imposto pago na etapa anterior. Se o seu cliente não conseguir recuperar esse crédito porque a sua empresa está no Simples tradicional, ele vai preferir comprar do seu concorrente que está no Lucro Real ou Presumido e que gera crédito completo. É aí que o seu negócio perde competitividade, não porque o imposto subiu para você, mas porque você virou um gargalo na contabilidade do seu cliente.

Para o Simples Nacional e os regimes diferenciados, a escolha sobre como recolher os novos tributos vai definir a sobrevivência de muitos negócios até 2027, quando o modelo híbrido começa a valer de verdade. Não dá para esperar a regra chegar pronta para ver o que fazer.

Retrato de um homem de óculos e terno falando ao microfone em um evento institucional sobre a reforma tributária.

O impacto prático da separação entre IBS e CBS

Para enxergar o que muda de fato no seu dia a dia, vale olhar para o comportamento do mercado conforme o seu porte e o seu público-alvo. A tabela abaixo resume como a nova dinâmica afeta diferentes frentes de negócio na prática:

  • Simples Nacional (B2C - Venda para o consumidor final): O impacto direto é menor na emissão, mas o empresário precisa monitorar o limite de faturamento e a margem, pois o cliente final não busca crédito tributário.

  • Simples Nacional (B2B - Venda para outras empresas): Risco real de perda de competitividade. Se o seu cliente não puder aproveitar o crédito do IBS e CBS na mesma proporção que aproveitaria de um fornecedor do Lucro Real, ele pode trocar você por outro parceiro.

  • Lucro Presumido (B2C - Venda para o consumidor final): A carga tributária tende a se estabilizar no patamar dos 28%, exigindo atenção à margem real de lucro para não pagar imposto sobre um ganho que o caixa não viu de verdade.

  • Lucro Presumido (B2B - Venda para outras empresas): A adaptação é mais fluida porque o sistema de créditos funciona por inteiro, permitindo que o seu comprador recupere os valores pagos e mantenha o negócio atrativo.

O segredo para atravessar essa transição até 2033 sem sustos é olhar para dentro da sua operação agora. Entender se o seu preço está blindado, como os seus fornecedores estão se preparando e de que maneira o seu cliente final absorve o custo do que você vende é o que separa um negócio que lucra de um negócio que apenas sobrevive pagando boleto.

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