A gestão do endividamento corporativo e do capital de giro afeta diretamente o caixa das empresas de médio e grande porte, independentemente de estarem no Lucro Real ou no Lucro Presumido. Quando o custo das matérias-primas sobe e as obrigações financeiras apertam, a operação sente o impacto diretamente na emissão de notas fiscais e na capacidade de honrar compromissos.
Recentemente, a Minerva colocou a desalavancagem no centro de sua estratégia corporativa para lidar com esse cenário de pressão financeira. O objetivo do frigorífico é levar a relação entre dívida e Ebitda para cerca de 1,7 vez, buscando um controle mais rígido sobre o passivo e otimizando a geração de caixa.
O peso dos estoques e o custo da matéria-prima
Manter produtos armazenados custa caro, e o encarecimento da matéria-prima exige que a diretoria financeira monitore o ciclo operacional de perto. Os estoques da Minerva correspondiam a cerca de 37 dias do custo dos produtos vendidos no segundo trimestre, frente à média histórica de 30 dias nos últimos cinco anos. Esse aumento no prazo de permanência dos insumos imobiliza recursos que poderiam estar circulando.

Empresas de médio e grande porte precisam enxergar o estoque não apenas como mercadoria guardada, mas como dinheiro parado. No Lucro Real, por exemplo, o controle inadequado do custo dos produtos vendidos reflete diretamente na apuração dos tributos sobre o resultado, tornando o caixa ainda mais vulnerável a oscilações de mercado.
A expansão operacional e a pressão sobre o caixa
Crescer em volume de produção exige capital intensivo, e o ritmo de expansão precisa ser acompanhado de perto pela estratégia de caixa. O CEO da Minerva, Fernando de Queiroz, informou que a companhia realizou 20 aquisições em 20 anos, ampliando significativamente a sua escala de atuação no setor de proteínas.
Com essa movimentação intensa, a empresa passou de aproximadamente 1 milhão para quase 6 milhões de cabeças de gado processadas nos últimos 12 meses. Esse salto operacional demonstra a magnitude da operação, mas também evidencia a necessidade de uma gestão impecável do endividamento para sustentar o crescimento sem sufocar a liquidez.
A alavancagem corporativa e a visão do mercado financeiro
O nível de endividamento corporativo dita o ritmo dos investimentos e a distribuição de recursos aos acionistas. A alavancagem da Minerva estava em cerca de 3 vezes o Ebitda ao fim do segundo trimestre de 2026, patamar que exigiu uma guinada estratégica em direção ao pagamento de dívidas e à preservação de caixa.
A tese sobre a Minerva foi elaborada pelos analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, do BTG Pactual. A instituição financeira estima a liberação de R$ 1,3 bilhão em capital de giro no 2º semestre de 2026, refletindo o potencial de ganho de eficiência operacional quando a empresa consegue enxugar processos e acelerar a conversão de estoques em dinheiro.
O horizonte de valor e a política de dividendos

A disciplina financeira adotada pelas grandes corporações sinaliza ao mercado a solidez do negócio e o compromisso com a geração de valor a longo prazo. O preço-alvo estabelecido para a ação da Minerva é de R$ 7, com potencial de valorização de 76,3% sobre os R$ 3,97 considerados no relatório.
Para garantir que o caixa permaneça protegido enquanto o endividamento é reduzido, a política de remuneração aos sócios passou por ajustes rígidos. A distribuição de dividendos extraordinários foi condicionada a uma cobertura de juros equivalente a 35% do Ebitda, conforme destacou o CFO Edison Ticle, blindando a companhia contra volatilidades macroeconômicas.
Checklist de eficiência de capital de giro e controle de endividamento
Mapeie o prazo médio de estocagem da sua operação e compare com a média histórica do seu setor para identificar gargalos de mercadoria parada.
Calcule a relação exata entre o seu endividamento total e a geração de caixa operacional para saber se o nível de alavancagem está seguro.
Revise os contratos de fornecedores para renegociar prazos de pagamento que aliviem o fluxo de caixa nos meses de maior aperto.
Monitore a liberação de recursos retidos no ciclo operacional para garantir que o dinheiro volte a girar dentro do prazo planejado.
Condicione a distribuição de lucros e dividendos a metas estritas de cobertura de juros e saúde financeira da empresa.

